Sara Sofia tem 3 anos e foi raptada pela mãe há mais de um mês

Sistema de Alerta de Rapto de Menores só arranca em Março e por agora os meios de informação e comunicação utilizados pelas autoridades permanecem os mesmos que existiam antes do caso Maddie

Apesar de o caso ser encarado pela Policia Judiciária (PJ) com a mesma seriedade que um desaparecimento, Sara Sofia Lopes dos Santos, de três anos de idade, desapareceu no primeiro dia de 2009 no quadro de um rapto parental.
De acordo com uma informação do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ em Portimão, Sara terá sido raptada pela sua mãe e encontra-se no estrangeiro, provavelmente em Espanha onde os investigadores tentam localizá-la com a colaboração das autoridades do pais vizinho.
Segundo a mesma fonte, desde a separação do casal em 2007 que os pais de Sara mantêm um conflito acerca do exercício do poder parental da criança, que estaria oficialmente confiada ao pai, que acusa a mãe de abandono da criança. Versão diferente tem a mãe de Sara e seus familiares, que acusam o pai de maltratar a criança, facto que nunca foi provado.
Apesar de o rapto de Sara ter ocorrido no dia 1 de Janeiro de 2009, só agora a informação foi colocada no site da Policia Judiciária na internet (www.policiajudiciaria.pt), onde figura uma fotografia recente da criança.
De acordo com as informações agora relevadas pelo DIC da PJ em Portimão – o mesmo que foi responsável pela investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann -, Sara Sofia estava vestida, na última vez em que foi vista, com um fato de treino cor-de-rosa da marca Nike e calçava sapatilhas da mesma cor.
A menina, de nacionalidade portuguesa, tem olhos e cabelos castanhos e, como sinal distintivo, apresenta nas costas, na zona lombar, um sinal vermelho.
Segundo uma fonte da PJ em Portimão, não existe qualquer ligação entre a desaparição de Sara Sofia e o caso Madeleine McCann, mas os investigadores receiam ver o seu trabalho afectado pela intervenção dos meios de comunicação ingleses, já que o facto de ambas as crianças terem a mesma idade e terem desaparecido numa zona geográfica relativamente próxima “vai, de certeza absoluta, ser aproveitado para relançar a mediatização do caso Maddie e concentrar a atenção no Algarve, afastando assim as suspeitas do casal McCann”.

Imprensa inglesa associa desaparição de Sara ao caso Maddie

A informação do desaparecimento de Sara Sofia teria passado completamente despercebida em Inglaterra, não fosse a intervenção de uma fonte próxima das autoridades britânicas e do casal McCann que, de maneira não oficial, alertou alguns jornalistas sublinhando o facto de a investigação estar sob a responsabilidade do DIC da PJ de Portimão, o mesmo que investigou o caso Maddie.
Na informação dada aos jornalistas não consta sequer uma linha acerca da possibilidade de um rapto parental, e a tónica é colocada no facto de Sara Sofia ter a mesma idade que Madeleine McCann e de ter desaparecido “misteriosamente” no Algarve, a mesma região geográfica de onde desapareceu a criança britânica em Maio de 2007.
Segundo a informação fornecida aos jornalistas ingleses, o desaparecimento de Sara Sofia na região sul de Portugal seria a prova da eventual existência de um predador, facto que a polícia portuguesa tinha excluído no caso de Madeleine.

Portugal adopta o modelo de Sistema de Alerta francês

A partir do próximo mês de Março, o desaparecimento de menores em Portugal vai passar a contar com um sistema de "Alerta Rapto" que, através de mensagens a cada 15 minutos, divulgam o caso e solicitam informações nas mais diversas plataformas, desde rádios locais aos terminais de transportes públicos.
O sistema adoptado no nosso país segue o modelo francês denominado "Alerte Enlèvement" que, em diversas ocasiões, já provou a sua eficácia no terreno.
A versão portuguesa estudada pelo Ministério da Justiça conta com os órgãos de comunicação social que adiram ao projecto e que, durante as primeiras três horas após o desaparecimento do menor, vão divulgar uma mensagem de alerta única, que pode ser de carácter local, regional ou nacional.
Tal como acontece em França, a decisão de lançar o alerta será tomada pelo procurador-geral da República (PGR) em conjunto com a PJ através de um "Gabinete de Crise", em caso de rapto ou sequestro, não contemplando ainda os casos de rapto parental ou simples desaparecimento.
Já em Novembro do ano passado, o Ministro da Justiça, Alberto Costa, havia assegurado que o sistema de “Alerta Rapto” estaria disponível rapidamente, sublinhando no entanto que para o sistema poder funcionar seria necessária uma melhor colaboração entre o Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ).

Duarte Levy

Maddie é um caso de segurança nacional

(Actualizado)
Os ingleses não mostraram aos polícias portugueses as imagens, no dia de desaparecimento de Maddie, dos satélites que apontam ao Algarve. Disseram que, por coincidência, nessa altura os satélites estavam todos virados para Marrocos. E a polícia inglesa declarou agora que na investigação McCann estarão envolvidos os serviços secretos.

Em Maio de 2007, alguns dias depois de Maddie ter desaparecido, um alto responsável do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Policia Judiciária (PJ) pediu aos colegas ingleses enviados à Praia da Luz para ter acesso às imagens dos satélites que vigiam a zona algarvia.
Se o pedido em si podia ser considerado como normal pois, no passado, as imagens satélite já serviram para ajudar as autoridades a solucionar um ou outro caso, a resposta surpreendeu. Segundo os “especialistas” enviados pelo governo britânico a Portugal, à hora a que Madeleine McCann foi levada do apartamento 5A do Océan Club, todos os satélites estavam virados para as costas marroquinas.
Apesar da explicação dada aos inspectores da Policia Judiciária, um dos polícias britânicos enviados ao Algarve acabaria por confirmar, em conversa informal, que “se existem imagens satélite da saída de Madeleine McCann do apartamento, elas são consideradas segredo de estado,” e logo impossíveis a fornecer às autoridades portuguesas.
Uma “coincidência” infeliz que acabaria por surpreender os homens da PJ quando, meses mais tarde, viram os mesmos “especialistas” defender a tese do rapto de Madeleine para Marrocos, apoiada nomeadamente pelas declarações fantasistas de uma agência de detectives espanhola, a Método 3, que, em declarações públicas, até dizia saber quem tinha levado a menina, porquê e como, prometendo mesmo o seu regresso a casa antes do Natal.

Um caso de Estado

Mas o caso dos satélites virados para o lado “errado” não é único. Em Inglaterra, a polícia do Leicestershire, em resposta a um pedido de um jornalista britânico, ao abrigo de um decreto que regula o livre acesso à informação, recusou-se a explicar se o recurso a escutas telefónicas e intercepção de correio electrónico no âmbito das investigações ao caso Madeleine McCann estaria coberto, ou não, por um mandado.
Parte dos agentes de polícia britânicos enviados à Praia da Luz nas 48 horas que se seguiram ao alerta criado com o desaparecimento de Maddie, vinham da polícia municipal do Leicestershire já que os seus pais, Kate e Gerry McCann, residem na sua área de jurisdição, nomeadamente em Rothley.
Segundo o jornalista Jon Clements, a polícia, depois de ter protelado a sua resposta durante vários meses alegando necessitar de consultar outras “Agências”, respondeu que não tinha qualquer obrigação de explicar em que termos foram utilizados quaisquer meios de vigilância no caso Maddie, por razões de “segurança nacional”.
A polícia do Leicestershire, considerada a 5ª melhor polícia municipal de Inglaterra, explicou ainda ao jornalista que estava igualmente dispensada de lhe responder, porque a explicação poderia estar relacionada com outros “organismos de segurança”, o que, de acordo com o decreto que regula o livre acesso à informação, significa os diversos organismos dos serviços secretos, tipo MI5, MI6, GCHG, SOCA ou as Forças Especiais.

Nem Sócrates os assustou

O desaparecimento de Madeleine McCann mereceu, desde o primeiro momento, uma atenção muito especial por parte das autoridades britânicas: um gabinete de crise especialmente dedicado ao apoio ao casal McCann foi criado no seio do Foreign Office ainda antes da chegada ao local dos primeiros inspectores da Policia Judiciária.
A importância dada pelo governo britânico ao casal McCann ultrapassou todas as expectativas e mesmo os elementos dos serviços secretos de Sua Majestade que se deslocaram a Portugal, acabaram por se mostrar surpreendidos com a facilidade com que Kate e Gerry McCann entravam em contacto com Tony Blair ou Gordon Brown.
O empenho do governo britânico foi tal que nem a intervenção pública do primeiro-ministro português, José Sócrates, pedindo aos políticos para não interferirem nas investigações ao desaparecimento de Maddie, conseguiu convencer os ingleses de deixarem a PJ trabalhar em paz.
José Sócrates, em declarações ao quotidiano espanhol EL PAÍS, em Setembro de 2007, logo após Kate e Gerry McCann terem sido constituídos arguidos, disse que, enquanto primeiro-ministro português, mantinha “total confiança no trabalho realizado pela polícia portuguesa” no caso Madeleine McCann.
Reconhecendo que o caso Maddie era “um caso muito difícil”, José Sócrates descreveu a desaparição de Madeleine McCann como um caso onde “a polícia deu o seu melhor para descobrir o que aconteceu à menina”.
O primeiro-ministro dizia ainda na altura que era uma obrigação para todos os políticos (ingleses ou portugueses) de não interferirem nas investigações em curso e de não “alimentarem o folhetim”.

Duarte Levy

EL MATRIMONIO MCCANN PRESENTÓ LAS CUENTAS DE LA CAMPAÑA DE SU HIJA

SÓLO EL 13% DEL DINERO SE GASTÓ EN BUSCAR A MADDIE

Publicado hoy en el diario 24 Horas y referencias en SOL, Diario Digital, Destak y versión inglesa en "Joana Morais". Original en portugués y en francés.

El Fondo Madeleine recibió casi 3 millones de euros de donantes privados, pero las cuentas no explican adónde fue todo el dinero.
El Fondo “Leaving No Stone Unturned Limited”, creado por Kate y Gerry McCann nueve días después de la desaparición de Madeleine del apartamento de Praia da Luz recibió, hasta Marzo de 2008, casi tres millones de euros en donativos, pero sólo el 13,30 por ciento del dinero fue gastado en investigaciones para, según el matrimonio, buscar a su hija.
Las cuentas de Mayo de 2007 a Marzo de 2008 del Fondo Madeleine sólo fueron reveladas después de que en TVI, en el programa “As tardes de Júlia” (“Las tardes de Júlia”) se abordasen algunos aspectos de la utilización dada al dinero por los McCann.
De acuerdo con el documento oficial al que tuvimos acceso, el Fondo creado para financiar las búsquedas de Madeleine recibió, hasta Mayo del 2008, un total de 2.819.403 euros, de los cuales sólo se gastaron 1.222.669 euros (43,37%), la mayor parte en gastos corrientes. El Fondo presentaba entonces un saldo positivo de 1.596.733 euros (56,63%).
Curiosamente, los McCann habrían gastado 122.856 euros (4’36%) en carteles y anuncios, pero el documento no especifica exactamente dónde habrían sido distribuidos estos soportes, lo que deja perplejos a algunos comentaristas, dado que las diversas campañas de distribución de carteles y “outdoors” anunciadas por los medios británicos para Portugal y España no se hicieron nunca, e incluso en Marruecos, país donde los investigadores contratados por la pareja pretendían que se encontraba Maddie, los pocos carteles distribuidos fueron aquellos que Kate y Gerry llevaron en su visita a aquel país y que distribuyeron entre los niños reunidos para la ocasión.
Otro dato curioso, en las cuentas del Fondo Madeleine tampoco figuran las cantidades que la pareja utilizó para pagar los dos plazos de la hipoteca de sus casa, pagados con el dinero de los donativos, como confirmó a la prensa Clarence Mitchell, antiguo responsable de la unidad de monitorización de los medios del gobierno de Tony Blair y portavoz de los McCann.
Hechas las cuentas, la pareja gastó 224.529 euros (7,96%) en relaciones públicas y monitorización de los medios, gastos que no deben de incluir -si tenemos en cuenta las declaraciones del interesado- los salarios de Clarence Mitchell, pero que revelan una preocupación constante con lo que se va diciendo en los medios, sin olvidar Internet, donde los abogados del matrimonio tienen amenazados a algunos de aquellos que no creen en la tesis del rapto de Maddie.
Desde Mayo de 2007, Internet ha sido una preocupación constante de los Mccann, lo que podría eventualmente explicar el creciente gasto con la creación y manutención de las páginas web del Fondo y de la tienda virtual, en la que se pueden comprar camisetas, pulseras y otros objetos relacionados con la niña: de acuerdo con los gastos ahora declarados, el “site” costó 55.606 euros (1,97 %) en oncemeses de actividad.

Rico, muy rico...

Mientras el cuerpo de Maddie no sea encontrado, el Fondo Madeleine “Leaving No Stone Unturned Limited” tiene su futuro asegurado, ya que su objetivo legal es continuar buscando a Maddie, y una salud financiera que muchas empresas, sobre todo en tiempos de crisis, le envidian: tras 11 meses de trabajo, el fondo presenta un saldo positivo de 1.596.733 euros, o sea, 56,63% de los ingresos.

SÓLO ENTREGA EL SUMARIO DE LAS CUENTAS
Fondo regulado como una empresa

Contrariamente a lo que se pensó inicialmente, el Fondo creado por los Mccann a 12 de Mayo de 2007 –apenas 9 días después de la desaparición de Madeleine- no es una institución de caridad lo que, según uno de los antiguos portavoces del matrimonio se explicaría por el hecho de que la pareja no deseaba estar sujeta a las severas condiciones de gestión impuestas por la comisión que gestiona este tipo de instituciones, la “The Charity Commission”, en la que estarían obligados a respetar escrupulosamente los objetivos del Fondo y a revelar exhaustivamente sus gastos e ingresos. Siendo un Fondo privado, el “Fond Madeleine” está regulado por el mismo departamento que las pequeñas y medianas empresas (Departament for Business, Enterprise and Regulatory Reform- BERR) y, como tal, tras el primer año de actividad está sólo obligado a entregar un sumario de la contabilidad.

Duarte Levy, Londres